terça-feira, 8 de abril de 2014

Diário de dieta: o esforço de não repetir


Eu fui aquelas crianças que sempre ganhava sobremesa. E suco. E refri (que na época vinha em uma garrafa de um litro e servia a família inteira). Tudo isso como recompensa por comer. E comer bastante. E comer de tudo. Eu era a alegria de toda a mãe: comia o arroz com feijão, a carne, a salada e ainda mandava ver no radite, hábito que herdei do pai. Era sempre tão certo de que eu iria comer tudo e repetir, que o pai já liberava suco ou refri antes, coisa que não acontecia com a minha irmã e meus primos.

Sabe essa cena: NUNCA aconteceu comigo.
Nesse tempo, quem repetia era aplaudido. Quem não comia, repreendido. Em casos extremos, litros de biotônico fontoura pra tentar ajudar. O problema é que isso cria uma raiz. Um hábito. Um vício, que até hoje eu tento controlar. Uma das coisas mais difíceis pra mim é não repetir quando eu gosto da comida. Eu passei a vida repetindo. Muitas vezes troquei a sobremesa por mais um pouquinho do que quer que fosse que tivesse disponível. E, claro, hoje tem sempre aquele momento enganação: repete a salada pra ter a desculpa pra pegar mais uma carne/panqueca/frango/peixe/o que tiver. Até hoje, e mesmo depois de tempo de reeducação alimentar, continua difícil dizer não pro "só-mais-um-pouquinho". Mas a gente segue tentando, um dia de cada vez.


Sempre assim: um potinho com as comidas quentes (nesse caso meia panqueca sem glúten, um pedaço de frango e nirá refogado), um com a salada fria e os dois lanches do dia. Bem bom, né?

Por isso pra mim é tão importante trazer comida. Eu trago a porção pronta (e uma bela porção, não se enganem). Mas é isso e só. Não tem mais um pouquinho. Nem "eu posso já que comi bastante salada". O almoço pronto dá essa segurança e esse controle que é impossível no restaurante pra mim. No fim das contas, tudo gira em torno de duas coisas: vontade e disciplina. Mais do que tempo, vontade e disciplina juntos é que fazem com que a gente ajeite aqui e ali e arrume tempo, espaço e um lugar pra tudo. Ao contrário do que muita gente pensa, esse diário e essa luta não é sobre ser magra. Tudo isso é sobre ser saudável, ter equilíbrio, pra poder aproveitar esse mundo pela maior quantidade de tempo que eu puder. Semana passada me desorganizei e almocei fora a maioria dos dias. E sofri tentando resistir ao "mais-um-pouquinho". E várias vezes sucumbi. Por isso parei, pensei e reorganizei. E agora, tudo começa a dar certo de novo.

E vocês? Marmitas prontas?



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