terça-feira, 29 de outubro de 2013

Senta que lá vem a história

Na real, vou tentar resumir pra vocês meu baixo-astral de ontem. Ficar mal não é comigo, sério. E não são (ainda bem) muitas as coisas que me deixam com a asa baixa. Tudo bem, posso me estressar, ficar irritada, braba, mas triste é bem raro mesmo. E ontem eu fiquei. E cheguei a sentir pena de mim por um tempo. E achando que o mundo é um lugar injusto e sem jeito.

Tava bem faceira com a minha façanha de trocar a resistência do chuveiro de casa sozinha. Aqui vocês entendem um pouco da comemoração. Pô, essa coisa de trocar resistência sempre foi meio lendária, e foi até um pouco decepcionante, por causa do nível de simplicidade da operação. Mas fiz. Primeira vez que eu não pedi ajuda pra isso (tudo bem, anos que eu não precisava. O que é uma vergonha se eu pensar que a minha mãe desde sempre troca sozinha a resistência de chuveiros de diversas marcas e modelos - ela é foda). Minha zeladora até veio me dar os parabéns, dizendo que "precisava muita coragem". Sensação libertadora, como relata a Gabriela nesse texto.

Minha alegria acabou durando menos do que o esperado. Bateram no meu carro na sexta. Dessas batidas inacreditáveis de tão idiotas. De olhinhos de exclamação dizendo WTF?!?!?! A mulher, que mora no meu prédio, disse pra ficar sossegada que ela ia pagar. O marido me ligaria no dia seguinte para combinar. No sábado, como prometido, o cara me ligou. Disse que tem alguém que faz serviços pra ele, que ele tem sete carros. E esse amigo já é aposentado, mas tem uma oficina que atende só os amigos nos fundos de casa em um bairro meio perigoso na região metropolitana, mas que faria num mecânico de minha confiança. Na segunda-feira, depois dos grandes feitos da minha empreitada elétrica, fui até a oficina que eu confio (já arrumou outros carros que eu tive no passado e atende bastante gente da minha família) e fiz o orçamento. Deu R$ 1 mil. O mais caro é o farol, que ficou trincado. Liguei para o cara para passar o orçamento. Aí ele surtou.

Para encurtar a história: me senti agredida, chantageada e humilhada nessa conversa telefônica. Não vou entrar em detalhes, mas a palavra que melhor define é humilhação. E quando eu desliguei o telefone, explodindo de raiva, fiquei com aquela certeza machista na cabeça: se ele estivesse lidando com um homem, não teria falado nem metade do que disse. Não teria me ameaçado daquela maneira. E isso foi o que me deixou muito mal. Isso me deixou com essa sensação de que o mundo é muito injusto e sem jeito. Sério, me senti agredida.

Aí já pensei em ir pro pau e entrar com uma ação na justiça. Mas o maior dano, que foi essa conversa por telefone, eu só tenho o que ficou na minha memória. Isso me abalou. Não teria como provar tudo o que ele disse. E aí vai ficar por isso mesmo.

Hoje eu me sinto melhor, mais forte de novo. E com esperança de que um dia esse machismo nosso de todos os dias venha a ser só lenda urbana.

UPDATE: sim, me disseram pra resolver isso com o cara levando o namoradão. Mas essa sugestão me deixou pior ainda. Afinal, que merda de mundo é esse em que só vão me respeitar se tiver um macho do lado, sabe? O namoradão é ótimo e tá na minha vida justamente porque a gente se ama e respeita muito. Não pra isso. 


2 comentários:

Carolina Ruiz disse...

Estou chocada, de verdade! É inconcebível que só possam respeitar uma mulher se tiver um cara alto e com cara de bravo do lado dela.. Ridículo, na verdade.
Como sou um ser vingativo, daria um jeito de fazer o cara repetir tudo, mas desa vez gravando a conversa ¬¬'
Espero que tudo dê certo com esse problema!

Beijos.
http://pinupinsana.blogspot.com.br

Paula Coruja disse...

Oi, Carol!
Sabe, é importante essa indignação. Quem sabe em mais uns anos ou décadas tenhamos uma sociedade mais justa.

Mas sabe, eu pensei em fazer isso. Eles foram, o casal, ver meu carro depois. Daí o cara baixou o tom. E como o advogado disse pra tentar o acordo amigável, acabei topando o conserto na oficina dele. Mas as provas tão ali, todas juntas e guardadas para caso não cumpram a promessa (e o gravador a postos para qualquer telefonema).

brigada, queri

beijoca

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