quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Diário de dieta: cuidado redobrado com as crianças


Não tenho aparelho de televisão em casa, por isso nem sempre sei o que acontece na telinha. Mas ontem fui à casa da mãe ficar de babá da minha sobrinha de 3 anos e meio (Momento fofura: quando me viu ela disse "Dinda, tou com muita saudade de ti! Tou com 10 saudades de ti". Morri.). Lá não só tem TV, como tem TV à cabo. Entre um vídeo e outro da Dora Exploradora e brincadeirinhas de desenhar, acabei olhando um programa no GNT bem interessante, o "Socorro, meu filho come mal". Para quem como eu não conhece, é uma série em que uma super nanny versão nutricionista vai socorrer famílias em que as crianças não comem bem. Um episódio, particularmente, me chamou muito atenção e rolou uma certa identificação.

"Se você dorme muito e acorda muito tarde, não tem tempo de fazer um monte de coisas. Toda vez que a gente come, nosso corpo gasta energia. Se ele gasta energia, ajuda a gente a emagrecer. Por isso, você tem que comer várias vezes ao dia, mas bem pouquinho", ensina a nutricionista Gabriela Kapim.

A Júlia, essa menina aí em cima, tem 9 anos e tava pesando 48 kg. Comia na frente do computador. Comia tudo o que houvesse pela frente. Não fazia um exercício. Claro que rolou aquela identificada. Lembro que com 11 anos eu pesava 55 kg e que os 10 anos foi, possivelmente, a última vez em que pesei 50kg. A Júlia comia bem, comia verduras, legumes (apesar de ter feito vários fiasquinhos por causa de algumas frutas) e, possivelmente, todo o doce que ela comia começou como recompensa por comer tudo e comer as verduras. Comigo foi assim também. Claro, antigamente a gente tomava muito menos refrigerante. Quando eu tinha a idade da Júlia refri era coisa pro domingo e uma garrafa de um litro dava pra família toda. Mas eu lembro que podia tomar o refri junto com a comida porque eu comia tudo. Era a minha recompensa. Eu podia comer a sobremesa, porque eu tinha comido tudo. As pessoas achavam bonito o fato de eu repetir o prato. Mas acho que ninguém viu onde tava o limite entre comer bem e ser obeso.

Se eu comento isso em família, todo mundo nega que eu fosse obesa. Eu era só gordinha. Durante muito tempo não dei bola pro peso que eu tinha, até porque várias coisas aconteceram para que eu entendesse que cada caso era um caso. Até os 10 anos eu ficava sempre na frente da TV parada por horas, se deixasse. Depois disso fiquei mais ágil, praticava esportes na escola, brincava mais na rua. Mesmo que fosse maior que as minhas colegas, eu tava no time da turma e acabei como uma adolescente gordinha, não mais obesa.

A Júlia, por sua vez, tava percorrendo um caminho bem mais perigoso. Por mais que eu fosse gorda, a gente comia muito menos bobagem, muito menos sódio, muito menos doce (mesmo com o nescau sagrado de todas as manhãs e o pão com doce de leite), muito menos refrigerante. Acho que isso garantiu que eu crescesse acima do peso, mas sem problemas de saúde. A Júlia comia muito, muito mesmo. E me lembrou de uma outra menina que eu conheci que era obesa, mas que nunca teve consciência disso. A Júlia chegou a chorar porque sabia que mãe não ajudaria, já que era ela que fazia muitos doces. Nem preciso dizer que a mãe da Júlia também está bem acima do peso. Essa outra menina também era assim. A mãe, obesa, reclamava que ela era esganada e comia demais. Mas a mãe nunca botou um freio, nunca deixou de colocar banha no feijão (e em todas as comidas), nunca impediu que a guria repetisse três vezes a sobremesa e passasse o dia inteiro beliscando biscoitos doces e salgadinhos. Eu acredito muito que nessa fase a gente aprende pelo exemplo. Algumas vezes essa mãe tentou colocar a menina numa dieta. Nem preciso dizer que deu errado, já que a mãe passava comendo coisas deliciosas na frente da criança. Anos depois reencontrei mãe e filha. A filha, já uma adolescente, está obesa. A mãe também. E como eu já encarei, depois de adulta, obesidade grau 1, sei que ali o encaminhamento era pro mórbido. E isso me deixou bem triste.

Por isso acho que tem que cuidar muito da alimentação das crianças. Além de uma alimentação saudável, é preciso ensinar, através do exemplo, que o excesso nunca é bom. Nunca.


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