sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Me, myself and fashion


Eu gosto de moda. Sempre gostei. Lembro de fazer vestidos para as bonecas, de uma época na infância em que a gente planejava a roupa de cada turno. Mas eu nunca me encaixei no estereótipo vigente. Nunca fui magra. Nunca fui miúda. Sempre estive muito longe do padrão "cabide". Sempre estive mais para bolinha, com uma pança que chegava a todos os lugares antes de mim. Inclusive, mais ou menos nessa época, com uns 10 anos de idade, eu parei de dizer que gostava "dessas coisas", porque causava espanto (e não de uma maneira positiva). Por que me diziam que eu não podia gostar de algo que eu não podia fazer parte (lembro de diversas situações com as minhas amigas em que isso era dolorosamente colocado). Fui deixando de lado. E comecei a enveredar por outros universos. Eu já gostava de ler. Essa foi a época que mais li.

E o tempo foi passando, fui ficando cada vez mais CDF, recolhida no meu mundinho tímido que dava acesso a poucas pessoas e interesses. Eu acreditei que eu não podia gostar de moda durante muito tempo. Comprava umas revistas de vez em quando, quase como o menino gay que mantém escondido, inconfessável, uma foto do amiguinho de sunga na piscina. Eu tinha uma cobrança (interna?) por seriedade e gostar de moda não era sério. As pessoas que gostavam de moda, em geral, eram as mais fúteis. Claro, só fui descobrir muito depois que elas, na realidade, não gostavam de moda: elas gostavam de consumir e isso é bem diferente.

Achava tão "isso não é meu mundo" que deixava não só de ir atrás, mas de usar roupas que eu estava com vontade. Podem me chamar de boba, eu sei. Eu era boba. Acreditei que por ser gordinha isso não podia fazer parte de mim, da minha vida. A mudança mesmo veio só quando eu fui morar na China. Lá eu tava longe de qualquer censura (interna ou externa), ninguém me conhecia, é como se eu pudesse ser quem eu quisesse. Além de me "libertar", digamos assim, comecei a observar a questão mais bacana da moda: a maneira como ela reflete os movimentos culturais, sociais e econômicos das sociedades. Puxa, poder observar essas mudanças e transformações de perto foi muito especial.

Por isso que na volta pra casa mantive essa mesma postura, a falta de medo e a vontade de estudar isso. Já perdi as contas de quantas vezes escutei "Sério? Nunca te imaginei escrevendo sobre moda". Mas hoje considero a surpresa um fator positivo, não mais uma crítica ou uma tarja de "outsider". Pois é, gosto de moda. Gosto do jeito que a moda se movimenta, gosto como ela é reflexo da sociedade. Curto mesmo. E essa é a minha história com a moda.





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