quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Se não tem o que falar, fica quieto

Uma das coisas que mais me causa asco nessa vidinha é preconceito. De todo o tipo. Fico realmente enojada com piadinhas (sem graça) contra mulher, gordo, negro, religião ou o que for. Já briguei com gente (e expulsei) na minha casa (e da minha vida) que veio com  piadinha preconceituosa contra negros (gente que não consegue olhar para o próprio umbigo mestiço). Esses dias vi um pseudo-humorista-metido-a-intelectualóide reclamar da patrulha do politicamente correto dizendo que Monty Python, referência mundial quando o assunto é humor, fazia humor politicamente incorreto. Sou fã de Monty Python e não lembro de nenhuma piadinha óbvia babaca cuja a moral é "morra de rir, ele é gordo", "morra de rir, ele é negro", "morra de rir, ela é mulher". Pelo contrário: nenhuma piada do Monty Python era com viés preconceituoso, mas de crítica: crítica social, crítica ao sistema, crítica aos costumes da sociedade inglesa, crítica. Prestenção e me diz se não é assim: todo o  pseudo-humorista-metido-a-intelectualóide que reclama do politicamente correto normalmente é o cara babaca da piada óbvia, que parece mais bullying de criança da 5ª série, do que realmente uma piada (tem certas coisas que eu também acho too much, mas o post sobre eventuais exageros do politicamente correto fica para a próxima. Vamcombiná, essa gente que reclama não reclama do exagero, reclama de não poder desrespeitar escancaradamente mesmo).

Tudo isso para falar de uma matéria do site Vice, de um menino que se intitula "bacharel em jornalismo", contando sobre os dois dias de desfiles do Plus Size Fashion Weekend, que aconteceu em São Paulo nos dias 11 e 12/2. Lendo a matéria tenho a nítida impressão de que quem escreve é, na verdade, um menino da 5ª série, daqueles bem babaquinhas, metido a engraçadinho, fazendo um texto zoando dos colegas gordinhos. Sim, porque ele acha que tá sendo superengraçado. Ele só consegue ser engraçado para este grupo de pessoas: as que acreditam que humor é "morrer de rir, ele é gordo", "morrer de rir, ele é negro", "morrer de rir, ela é mulher". Gente, o mundo evoluiu. Humor não é isso, definitivamente. O que se lê no longo relato do Sr. Bruno Soraggi é um sequência de mais de 15 mil caracteres de puro preconceito e desrespeito.

Não vou perder tempo aqui tentando convencer o Sr. Soraggi que o mercado plus size está em franca expansão no mundo inteiro, chamando atenção até de Marc Jacobs, que já fez desfile de coleção plus size; que nada (NADA) justifica o preconceito contra gordinhos, gordos, obesos ou seja lá quem for. Não. É perda de tempo. Porque gente assim não muda. Gente assim não consegue evoluir. O destino dele é continuar se achando "um-bacharel-em-jornalismo-super-hiper-master-blaster-engraçado". Mas pra mim ele é um coitado. Só um coitado. Que vai tentar se justificar dizendo "pô, mas eu até tenho um amigo gordinho", achando que isso diminui o tamanho do preconceito e do desrespeito dele.

Ele é um coitado. Só um coitado. Como tantos outros por aí. Infelizmente.


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