quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Uma singela história de Natal

Lembro bem dos natais de quando eu era criança. Era uma festa! Quando aparecia um Papai Noel eu sempre sabia que não era o verdadeiro. O verdadeiro só vinha quando a gente tava dormindo! Algumas vezes dava pra ouvir a voz dele, ou um tropeço quando ia deixar meu presente. Oh ! Que saudades que tenho. Da aurora da minha vida, Da minha infância querida. Que os anos não trazem mais! Era tão bom...

Com o tempo, as crianças (eu, minha irmã e minha prima) da minha casa foram crescendo, o Papai Noel foi ficando pra trás e os amigos secretos repetitivos. Perdi as contas de quantos anos seguidos o Tio Gelso tirou a Raquel, minha irmã. Não éramos muitos. O último Natal do meu pai conosco foi em 1992, quando eu tinha 11 anos. Nessa época eles ainda eram suuuuuuper divertidos. Depois disso restamos eu, minha irmã, minha mãe, a Vó Maria, o Vô Antônio, Tia Nice, Tio Gelso, Tia Clarice e Bruna. E assim seguimos. Dos áureos tempos, lembro de uma ceia que tinha um porco inteiro, com cabeça e tudo. Fiquei muito impressionada! Eu era pequena, bem pequena. Na real, não tenho nem certeza se era Natal, nem se o porco era inteiro (mas a cabeça tava lá!). Mas sempre associei aquele porco ao Natal. Devia ser.

Sempre jantamos cedo, pois meus avós e minha tia são diabéticos. Sabe como é, não dá pra se perder na jogada com essas coisas. Quando éramos crianças, todos, mesmo comendo cedo, aguentavam bem até a meia-noite, pois todos esperavam para ver as nossas carinhas felizes com os presentes da família. O do Papai Noel a gente só via quando acordava, afinal, era o horário que o bom velhinho passava. Com o tempo o povo foi perdendo o pique. Não tínhamos mais crianças ansiosas que se recusavam a dormir cedo! Não sei vocês, mas Natal sem crianças é só mais um jantar entre pessoas que se gostam.

Sabe aquela coisa que todo mundo conta que sempre tem um escândalo em família que é revelado no Natal, normalmente antecedido por um grande fiasco? Pois é, lá em casa não tinha disso. Apesar de dar risada das histórias que me contavam, ufa, adorava o fato de ter uma família calma! No dia seguinte sempre dava risada das histórias de uma prima minha: todos os anos tinha uma grande revelação, um tio bêbado que acaba ferido, uma bagunça! Sabe como é, pimenta nos olhos dos outros...

A coisa é que depois que o pai morreu os natais perderam muito do encanto. Era um tempo difícil: meu pai morria, Papai Noel sumia, minha infância acabava. Sem mágoas, sem tristeza, só parte da vida. Mas tem um Natal já adulta que lembro com muito carinho. E era isso que queria contar para vocês.

Meu avô, o Antônio, que comentei antes, teve muitos problemas de saúde (MUITOS). Mas era o espírito natalino em pessoa, não por amor à festa, mas pelas coisas que me fez aprender com ele nestes anos doente. Ele nunca desistiu. Depois do primeiro derrame, fraquinho, disseram que ele não ia voltar a conseguir escrever. Pois o danado não sossegou enquanto não voltou a escrever com a letrinha bem bonitinha (um dos raros homens com letra decente). Depois do segundo, disseram que ele não conseguiria mais andar direito. Dito e feito: o veio tanto fez que tava andando até sem bengala. Depois do terceiro, o médico decretou que não andaria. A persistência foi tanta que ele caminhava bem com o andador. Se vontade de viver, persistência extrema, humildade (para pedir ajuda quando precisou) não é muito da essência do espírito natalino, não sei o que é. E isso aprendi com ele. E esse Natal é justamente dessa época do andador.

Familião me desejando Feliz Natal quando eu tava morando fora! Ah, nada como a família!


Era 2006 e todos estavam bem felizes. Bem felizes. Acho que todos estavam achando aquela data especialmente especial aquele ano. A ceia foi ótima, todos conversavam e riam muito. Meu vô ria muito. Pela primeira vez em anos revelamos o amigo secreto bem tarde! O Tio Gelso não tirou a Raquel (e não lembro quem foi... foram tantos anos de dobradinha que quando mudou, esqueci!)! Eu tinha tirado o vô. Ele sempre foi muito colorado e 2006 foi um ano bem especial pro Internacional de Porto Alegre. Depois do ano difícil com a saúde, eu tinha que ter uma premonição feminina para comprar o presente perfeito. Bom, tenho que acrescentar que meu vô não se parecia exatamente com Papai Noel. Ele era sério, levava as coisas todas muito a sério. E era severo. Como achar o presente perfeito?

Ele já andava com dificuldade, mesmo com o andador, mas tava com um humor maravilhoso. Quando chegou minha vez de revelar, ele já ficou todo sorridente ao saber que era eu a amiga secreta. Quando ele abriu o pacote, ele deu um sorriso que poucas o vi dar. Sabe quando a gente sorri com o corpo todo, não só com a boca? Ele sorriu com os olhos, com os braços, com o coração. Aquela camiseta do time que ele tanto amava fez toda a diferença. E vendo ele sorrir, toda a família sorriu junto, também de corpo inteiro, de alma cheia! Aquele sorriso era o espírito natalino que tinha ficado ausente por alguns anos.

Eu deveria lembrar, mas não lembro do presente que ganhei, não lembro de como acabou a festa, não lembro do que a gente ria. Mas lembro desse sorriso e isso é justamente o que é o Natal!

Bom, o vô não tá mais aqui. Mas esse sorriso tá.

Esse sorriso do Vô já tava lindo. O daquele dia era ainda maior!


Feliz natal, gurias, meninas e gatas garotas! Deem e distribuam esses sorrisos no Natal e no ano inteiro que tudo fica mais vivo e mais feliz!

4 comentários:

berenice disse...

Na verdade éuma singela história,mas a simplicidade a tornou enorme! Foste felis nesta inspiração ao relatar fatos passados em que vivíamos muito felizes!Chorei muito ao recordar aqueles tempos,principalmente por aqueles que não estão mais aqui entre nós,mas que fizeram uma grande história!
Um beijo no coração, minha filhota e que Deus sempre te abençõe e ilumine.
Mama

MARION disse...

Aqui estou, em lágrimas!!! Sou neta do velho chiquito, q ouvia o Hino Nacional e chorava; imagina eu lendo este texto! O que posso dizer é, obrigado Be por me dar a oportunidade de ler e para Paula, q me orgulho d+ de te-la como sobrinha, e q uma história tão simples mas tão cheia de conteúdo, é a tua história, a história de uma família, q com poucas linhas relata tudo, sentimentos, acontecimentos...BJS e agradeço a Deus por fazer parte da tua vida.

Betamonteiro disse...

Ahhhhh, estou aqui, sentada e as lágrimas, inevitavelmente, caindo após ler este texto maravilhoso.... O importante é que estas pessoas fizeram a diferença quando passaram por aqui... Beijo grande e FELIZ NATAL.

Luciana disse...

Lindo, lindo, lindo!!!!!!!!!!!!!!

Sabe, conheci o vô tão pouquinho, mas nunca vou esquecer da história que a Be me contou sobre o Natal onde o peru virou frango. Haha!
Lembro disso cada ano, lembro disso cada vez que é Natal e vejo sua mãe.

Parabéns! O blog tá perfeito!

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